- 10 de Março, 2026
- Posted by: Filipa Ferreira
- Category: Líderes Financeiros
Em resumo, o desalinhamento entre a estratégia e a execução é um desafio comum, em particular durante períodos de mudança, crescimento ou transformação organizacional. Os indicadores típicos incluem diminuição das receitas, metas não atingidas e um crescente distanciamento entre aqueles responsáveis por definir a direção estratégica e aqueles que executam os resultados operacionais. Para orientar com sucesso as organizações nestas transições, os líderes têm de reforçar a ligação entre a visão e a execução. Isso implica estabelecer sistemas eficazes que permitam a coordenação, a clarificação de expectativas e o apoio das equipas na manutenção do progresso, mantendo o ritmo organizacional.
Não é preciso ser um atleta para perceber que o momento mais delicado numa corrida de estafetas não é a velocidade — é a passagem do testemunho (articulação). Duas pessoas, a moverem-se rapidamente na mesma direção, têm de se apoiar numa confiança total. Uma larga o testemunho enquanto a outra o recebe e, por um breve momento, ambas partilham a responsabilidade de o manter em movimento. Se essa passagem falhar, ainda que por um instante, a corrida pode ser perdida. As organizações funcionam de forma muito semelhante. A transição da estratégia para a execução requer compreensão partilhada, sincronização eficaz e as condições propícias para que as equipas trabalhem em alinhamento. Quando estes elementos faltam, o ritmo abranda e o progresso pode estagnar.
O desalinhamento entre a estratégia e a execução é comum, especialmente em momentos de inflexão, quando as organizações mudam de direção estratégica, expandem operações ou se reestruturam. Os sintomas são familiares: aumento da rotatividade, diminuição das receitas, metas não atingidas e um crescente distanciamento entre quem define a direção e quem a executa. Os estrategas exigem respostas, enquanto os executores resistem a expectativas que consideram irrealistas. Todos estão a falar, mas ninguém se sente compreendido.
As organizações que avançam com sucesso em períodos de mudança reforçam a ligação entre a visão e a execução. Implementam estruturas que promovem a coordenação, trazem clareza às expectativas e permitem que as equipas mantenham o ritmo.
Seguem-se três áreas em que a articulação mais frequentemente falha e como os líderes podem colocar a estratégia e a execução a avançar em sintonia.
1. O problema do ritmo: quando a estratégia avança demasiado rápido
Mesmo estratégias cuidadosamente concebidas falham quando o ritmo do trabalho não corresponde à capacidade das pessoas responsáveis pela sua execução. Quando a estratégia avança mais rapidamente do que a execução consegue suportar, a articulação falha muito antes de o trabalho começar.
2. O problema das funções: quando as funções não correspondem ao trabalho
As estratégias mudam e, quando isso acontece, o trabalho frequentemente requer novos ou diferentes pontos fortes e competências. Se as pessoas forem colocadas em funções que não correspondem às exigências da estratégia, mesmo as equipas mais dedicadas enfrentam dificuldades. Alinhar os pontos fortes com a estratégia reforça tanto a articulação como o trabalho subsequente.
3. O problema do gestor: quando os gestores carecem de visibilidade estratégica
Os gestores intermédios são responsáveis por interpretar a estratégia, orientar as equipas e manter o trabalho a avançar. Não podem fazê-lo sem uma visibilidade clara sobre o rumo da estratégia. Quando os gestores não conseguem ver a estratégia, não conseguem orientar o trabalho. Começam a carregá-lo e todo o sistema abranda.
Reforçar a articulação com os recursos existentes
A maioria das organizações não precisa de novos sistemas. Precisam de utilizar com mais clareza os sistemas que já possuem. As práticas seguintes abordam as falhas mais comuns na articulação entre a estratégia e a execução. Estas questões são mais eficazes quando os líderes as introduzem e convidam as equipas a responder honestamente. O objetivo não é o consenso, mas a visibilidade. Os padrões nas respostas revelam onde os sistemas, os direitos de decisão ou as prioridades estão desalinhados. Os líderes podem então utilizar essa informação para recalibrar funções, simplificar revisões, clarificar responsabilidades e remover atritos, garantindo que a estratégia e a execução avancem ao mesmo ritmo.
Reavaliar a proporção entre estrategas e executores
Aborda: o problema do ritmo
No trabalho da autora, constatou-se que as organizações saudáveis mantêm um equilíbrio simples: cerca de 20% de estratégia e 80% de execução. Um pequeno grupo define a direção. Um grupo maior assegura a execução. Quando este equilíbrio se altera, uma das partes acaba inevitavelmente por avançar mais depressa do que a outra.
Questões para os líderes refletirem:
– Onde ocorrem mais frequentemente os bloqueios: na definição da estratégia ou na sua execução?
– Que decisões podem ser tomadas pelas equipas sem revisão sénior?
– Onde podem as revisões ser simplificadas ou combinadas para reduzir atrasos?
– Que suporte ou recursos precisam as equipas para executar com confiança?
– Que trabalhos já não correspondem aos objetivos atuais e podem ser pausados ou interrompidos?
Utilizar definições partilhadas para prevenir desalinhamento
Aborda: o problema das funções
As equipas não conseguem manter-se alinhadas se interpretarem termos-chave de forma diferente. Os estrategas definem os resultados. Os gestores intermédios traduzem esses resultados em planos. Os executores transformam os planos em tarefas. O desalinhamento começa quando estas definições divergem.
Questões para os líderes refletirem:
– Partilhamos a mesma definição de sucesso?
– Que informações precisam as equipas antes de começar um novo projeto ou iniciativa?
– Que termos, públicos ou métricas estão a ser compreendidos de forma diferente entre os grupos?
– Onde estamos a assumir alinhamento em vez de o confirmar?
Utilizar reuniões existentes como pontos de ligação
Aborda: o problema do gestor
A maioria das organizações não precisa de mais reuniões — precisa de reuniões que reforcem o alinhamento. Os executores precisam de clareza sobre os resultados a entregar. Os gestores precisam de interpretar o progresso e sinalizar os riscos. Os líderes séniores precisam de confirmar que o trabalho continua alinhado com a estratégia.
Questões para os líderes refletirem:
– As reuniões esclarecem o que está concluído, o que se segue e que suporte é preciso?
– As mudanças estratégicas estão a ser comunicadas com antecedência suficiente?
– A estratégia continua a refletir o que as equipas observam no terreno?
– Que reuniões podem ser reaproveitadas, simplificadas ou eliminadas?
– Onde podemos mudar as conversas de partilha de atualizações para tomada de decisões?
Criar um ciclo de comunicação baseado na confiança
Aborda: o problema do ritmo, o problema das funções e o problema do gestor
A confiança mantém a articulação intacta. Quando a confiança é sólida, as pessoas sinalizam riscos atempadamente, colocam questões de clarificação e ajustam em tempo real. Quando a confiança enfraquece, o silêncio aumenta, as suposições endurecem e os problemas são resolvidos de forma isolada.
Questões que ajudam:
– Estamos alinhados quanto ao motivo pelo qual este trabalho é importante neste momento?
– As pessoas sentem-se confortáveis em identificar o que está a ajudar ou a dificultar o progresso?
– As preocupações são tratadas como informação que melhora o trabalho em vez de resistência?
– As equipas sentem que é seguro fazer clarificações para cima e não apenas para baixo?
– Onde é que o silêncio sinaliza que a segurança psicológica precisa de atenção?
A estratégia é fundamental e a execução também, mas o progresso depende do que acontece no espaço entre ambas. Quando os líderes protegem esse ponto de ligação, as equipas atuam com clareza e confiança. Quando essa ligação falha, mesmo estratégias sólidas e equipas competentes perdem ritmo.
A liderança não consiste apenas em definir a direção ou impulsionar resultados. Consiste em fortalecer a ligação entre ambos. Quando os líderes investem em significados mais claros, melhores pontos de ligação e confiança mais profunda, as organizações avançam com alinhamento e propósito.
Adaptado de: “When Strategy and Execution Fall Out of Sync“, por Faye McCray, CEO e estratega principal da Culture & Quill, uma agência de comunicação estratégica que ajuda organizações a orientar a mudança e o crescimento (advogada e antiga executiva de media, liderou a estratégia da Healthline Media, Well+Good e Livestrong; os seus clientes incluem The Washington Post e Goldman Sachs, onde atua como consultora empresarial; oradora no TEDx, já participou na NBC News Now e Fox 5 DC, e os seus textos foram publicados no The New York Times, Newsweek, HuffPost e outros), publicado em Harvard Business Review em 22 de janeiro de 2026.